Como funcionam os sorteios auditáveis
Esta página explica, sem jargão, como o resultado é produzido e por que ele pode ser conferido por qualquer pessoa.
A ideia em uma frase
O resultado do sorteio não é escolhido por ninguém da associação: ele nasce da combinação de um número secreto, lacrado antes do sorteio, com um número público de acaso gerado por um serviço internacional independente e qualquer pessoa pode refazer a conta depois.
As etapas, na ordem
- Preparação. A administração cadastra a finalidade, a lista de participantes e as regras (quantas vagas, se há fila de reservas, se alguém entra ou sai por exceção justificada).
- Travamento (o lacre). A lista e as regras são congeladas. O sistema gera um número secreto aleatório e guarda apenas a “impressão digital” dele, um código calculado com SHA-256, que não permite descobrir o número, mas prova depois que ele não foi trocado. No mesmo momento fica definido qual sorteio público de acaso, ainda no futuro, será usado como fonte.
- Acaso público. Na hora combinada, o sistema busca o número aleatório publicado pela rede drand (League of Entropy). Esse número é produzido por várias organizações independentes em conjunto, é publicado para o mundo inteiro e não pode ser escolhido nem previsto por nenhum participante, inclusive pela associação.
- Apuração. O número secreto revelado e o número público são combinados em uma única semente. Dessa semente sai a ordem dos contemplados, sempre pelo mesmo cálculo (embaralhamento de Fisher–Yates alimentado por SHA-256). Mesma semente, mesma lista, mesmo resultado, sempre.
- Homologação. Um segundo administrador confere e homologa. Só então o relatório oficial em PDF é gerado e o resultado aparece para os associados.
Por que ninguém consegue direcionar o resultado
- Quem conhece o número secreto não conhece o número público, que ainda não existe quando o lacre é feito.
- Quem vê o número público não pode mais mexer no número secreto: a impressão digital dele já está registrada, e qualquer troca ficaria evidente na conferência.
- A lista de participantes também está lacrada por uma impressão digital própria. Incluir, remover ou reordenar alguém depois muda esse código e invalida a verificação.
- Nada é sorteado no navegador de quem acessa e o sistema não usa geradores de números “fracos”: apenas aleatoriedade criptográfica.
- Cada passo (preparação, travamento, apuração, homologação, avisos) vira um registro encadeado: cada evento carrega a impressão digital do anterior, como elos de uma corrente. Apagar ou alterar um elo quebra a corrente inteira.
Como um associado desconfiado pode conferir sozinho
Todo sorteio homologado tem um código público e uma página aberta de verificação. Nela, o próprio navegador da pessoa refaz a conta: confere a impressão digital do documento, confere o número público de acaso e recalcula o resultado a partir da semente. Se algo não corresponder, a página avisa. A conferência não depende de confiar na associação, ela depende apenas de matemática pública e de um serviço de acaso independente.
O relatório oficial em PDF traz todos os códigos envolvidos, o passo a passo da apuração e um QR Code que leva à página de verificação.
E se uma apuração precisar ser refeita?
Refazer é possível, mas nunca em silêncio: exige justificativa escrita, gera uma nova rodada com novo número secreto e novo número público, e a rodada anterior continua registrada como substituída. O histórico não é apagado.
Fontes e referências da metodologia
- drand / League of Entropy — acaso público verificável e distribuído: drand.love
- NIST Randomness Beacon — mesma ideia de farol público de aleatoriedade: csrc.nist.gov
- SHA-256 (FIPS 180-4) — norma da função de impressão digital usada: csrc.nist.gov/fips/180-4
- NIST SP 800-90A — recomendações para geração de números aleatórios: csrc.nist.gov/sp/800-90A
- Embaralhamento de Fisher–Yates (algoritmo de Knuth) — método clássico para ordenar uma lista sem viés: referência
- Esquema de compromisso criptográfico (commitment) — a base do “lacre” antes do sorteio: referência
